Nem sarado, nem parado!

Caminho, corro e pedalo frequentemente para me manter saudável no aspecto físico e mental. Como o suficiente para satisfazer o paladar, assumindo, porém, o pecado da gula no fim do dia, sempre acompanhado de uma cervejinha para saciar a sede e lembrar que o bom é viver e não sobreviver. Com tudo isso, a barriguinha e o pneu lateral são partes do visual. Pois é, este é o meu lema. Só tem um problema, pois numa era de extremos, quem opta pelo caminho do meio logo se torna excluído.
Numa ponta tão os sarados. Fortões que, apesar de passar parte do dia na academia (e a outra na boate; aliás, vivem de quê?), sequer estão preocupados com a própria saúde, afinal vida saudável não pode ser resumida a isso. E tal situação fica mais evidente pelo fato de que alimento pra eles é anabolizante ou até mesmo hormônio para animais. Na esteira ou halteres ao lado ficam as popuzudas e agora também peitudas. Do mesmo modo que a madrasta da Branca de Neve, o espelho diante delas reflete uma perfeição inalcançável e insaciável. Segunda feira é o pior dia da semana, pois o temor de enfrentar a balança ou o mesmo espelho e notar a possível existência de uma grama ou de uma... (palavra proibida) celulite é uma aflição igual ao de perder o namorado para a amiga.
Mas não podemos negar que, paralelo a esse narcisismo, existe todo um desenvolvimento da cultura do esporte. Do simples entretenimento e bem estar para uns ao profissionalismo e mercado econômico para outros, há uma enorme cadeia produtiva, que inclui pesquisas científicas comprometidas com a saúde do corpo humano e seus limites. Da pelada do fim de semana às Olimpíadas, o fato é que o esporte é algo onipresente no mundo contemporâneo. E que tem como conseqüência o aumento da auto-estima e um maior cuidado com a alimentação dos indivíduos.
Então, como explicar a outra ponta na qual está a paquidérmica população de obesos? E isso se torna mais intrigante ainda pelo fato de sua ocorrência se concentrar em países desenvolvidos, com acesso a informação e a alimentos saudáveis. Nestas regiões, com elevado nível econômico, também é maior o acesso ao lazer, mas, mesmo assim, os gordos buscam na comida uma forma de prazer excludente, que não aceita nenhuma outra possibilidade de satisfação que não seja pela boca. A vida resume-se a muita comida e nenhuma atividade física. Ao contrário das boazudas, para eles o espelho não existe.
Mas ele também está lá, ameaçador, para os que estão no terceiro vértice extremista, que são os anoréxicos. Dizem os especialistas que, ao se verem no espelho, os anoréxicos se acham gordos, apesar do físico palito de dente. Uai, não seria mais fácil então colocar um espelho convexo no quarto deles?
 

 


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