Depois do pedalar

Semana passada rolou em Vitória o seminário por mim coordenado sobre mobilidade urbana, cujo tema foi “a bicicleta na cidade”. Foi um evento preparatório para o Salão da Bicicleta previsto para ocorrer em janeiro de 2011. Duas palestras, pronunciamentos de autoridades e um intenso debate animaram os presentes, tanto quanto deixou claro que a efetivação da bicicleta como meio de transporte ainda é um desafio no Brasil.
Quem anda de bicicleta reclama da ausência de ciclovias, o que obriga a maioria dos ciclistas a dividirem o espaço das vias com o automóvel. Ocorre que motorista não respeita sequer o Código de Trânsito, quanto mais o indefeso cidadão montado numa bike. Faltam também paraciclos, bicicletários, vestiários, sinalização, ou seja, quase tudo!
Uma das questões a ser enfrentada é o da cultura do automóvel, objeto de desejo da maioria dos brasileiros. Obviamente que não se propõe que as pessoas simplesmente troquem o carro pela bicicleta, mas já seria desejável se na hora de ir à padaria ou a academia para a aula de spinning (afinal tem gente que vai de carro para a academia se exercitar em bicicletas ergométricas!) a galera usasse a magrela.
O fato é que as cidades vivem engarrafadas, e isso não é um “privilégio” só das metrópoles, pois mesmo as de médio tamanho, notadamente nos países em desenvolvimento, já sofrem com tal tipo de problema. Nelas, à ausência de um transporte público qualificado, contrapõe-se uma classe média já em condições de motorizar-se em veículos particulares. Daí a urgência de um sistema de transporte eficiente que possa atrair novos passageiros, de modo que cada vez mais o carro fique na garagem.
Coincidentemente, eu que vou pro trabalho de carro e uso a bicicleta apenas como esporte e lazer, tive que usar o ônibus justamente no dia seguinte ao do seminário. No sábado pela manhã, fui pegar meu carro na oficina e resolvi caminhar até o ponto e esperar o coletivo. Trata-se de um trajeto que leva em média 15 minutos, dirigindo sentado, ar condicionado ligado, ouvindo um cd em som estéreo. Neste calor de outono, o sol de sábado incomodava um pouco, mas a sombra de uma árvore tornou a demora de uma hora no ponto um pouco menos desconfortável. Repetindo: uma hora! Ah, depois teve o tempo gasto entre o ponto e o terminal para onde me dirigia, sem falar que fui o tempo todo em pé e que o trajeto do ônibus é ligeiramente mais longo que o do carro. Felizmente era sábado, e o trânsito estava fluído.
A densidade na relação espaço ocupado/média de passageiros transportados é altamente favorável ao ônibus quando comparado ao automóvel, projetado para quatro passageiros mas normalmente com apenas uma pessoa nos dias úteis, quando o fluxo de passageiros alcança o nível mais alto dos deslocamentos urbanos. Bom, tem as motos, só que elas são altamente poluentes e perigosas.
Talvez fosse o caso do governo criar um incentivo para comprarmos o compacto Smart.

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