Guerra ao sertanejo!

Oh, vou logo avisando: não é que tou lendo muito as colunas sociais, mas elas não deixam de ser uma fonte de informação aonde podemos pescar uma série de coisas que acontecem na cidade, e que nem sempre são firulas ou trivialidades.
Mas é claro que lá tem muita coisa que não deve ser levada a sério. Pois bem, outro dia li numa coluna dessas, logo após um evento de sucesso (voltarei a este termo adiante), que realmente o “sertanejo é a música da moda”! É isso aí, e pra ficar com jeito de coisa chique, de bacanas, o legal é que o ritmo ainda recebe o rótulo de “universitário”. E sempre no formato de duplas (?). Algumas com nomes divertidíssimos, como Domyngo e Feryado! É isso mesmo, e ainda com o “Y”. Quanto criatividade!
Não sou de mentir, admito, sou preconceituoso: pra mim sertanejo é uma merda! Cada um pode gostar da música que quiser, mas esta, especificamente, é um retrocesso em um país como o Brasil. E é curioso que um fenômeno como este ocorra justamente quando está em cartaz o documentário sobre o festival de 1967, quando, em pleno governo militar, multidões debatiam-se em defesa de canções até hoje antológicas.
Esclareço que quando critico o sertanejo tenho muito claro que sei diferenciá-lo da música caipira, essa sim importante no contexto cultural brasileiro. Pena Branca e Xavantinho, Rolando Boldrin, Almir Sater e Chico Lobo são alguns dos nomes que faço agora referência.
É claro que não chego ao ponto de poder fazer como o Nelson Motta. Em seu livro Noites Tropicais, que trata da história recente da música brasileira, ele diz irreverentemente que decidiu deixar o Brasil depois da ascenção do sertanejo.
Mas, outro dia, quando fui num bar para ver um show de pop/rock, o DJ colocou no começo música sertaneja antes do show. Na mesma hora fui até o cara e disse: “tira esta porcaria que não foi pra isso que comprei ingresso”! E ele: “ah, é pra dar um clima”. O que sei é que na mesma hora ele colocou uma do Seu Jorge; ainda bem, senão...
Comecei minha digressão falando que foi da imprensa que saiu a motivação deste texto. Pois bem, é também dela que tiro uma nota para fechar o assunto. Nesta semana li um artigo do Nizan Guanaes no qual ele diferenciava sucesso e prestígio. Basicamente, sucesso é decorrente do povo, enquanto prestígio se dá em relação aos pares. Tem muito cantor que faz sucesso com o povão, mas tem músicos (cantor, compositor, instrumentista) que tem prestígio junto à classe musical, e tem ainda aqueles que conseguem as duas coisas.
Ah, o que o publicitário baiano falava mesmo é de música, das boas, de um som transcendental: Heitor Villa-Lobos.

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