Dirigindo por aí...

Se o Governador Casagrande ganhou simpatia da população, principalmente aquela que faz uso constante da ponte, o aumento do fluxo de veículos em Vitória e Vila Velha logo implicará em maiores níveis de engarrafamentos, cuja solução (parcial) seria possível com a melhoria significativa na qualidade do transporte público metropolitano, de responsabilidade desse próprio governo.
Além disso, tanto o Governo do Estado quanto as Prefeituras de Vitória e Vila Velha perdem farta arrecadação. Por fim, Vila Velha ainda se vê condenada a virar de vez cidade dormitório, inibindo seu desenvolvimento econômico, pois esse tipo de ação reforça sua dependência de Vitória. Microempresas, profissionais liberais e consumidores moradores de Vila Velha têm agora mais motivo para deslocarem-se para Vitória.
Voltando ao transporte público, sua melhoria demanda um maior aporte de recursos, numa conta difícil de fechar, pois o número de usuários vem diminuindo proporcionalmente. Sem condições políticas de aumentar o preço da passagem, o sistema não alcança um equilíbrio financeiro. E ainda tem o Governo Federal com suas bondades em relação às facilidades dadas às montadoras de automóveis e ao congelamento do preço da gasolina, cujo resultado é mais carros nas ruas.
Cidade engarrafada sempre gera reclamação da população, que não diferencia de quem é a culpa, se do Governo Federal, do Estadual, das Prefeituras ou dela própria, que pouco faz para resolver um problema coletivo quando se tem a mão uma solução individual. Havendo condições financeiras para se ter um carro ou moto e encher o tanque, o cidadão sempre preferirá ir com seu próprio veículo.
Além do transporte público, o enfrentamento do problema pode ser dado também pela melhoria da infraestrutura. Com o caixa baixo e o excesso de burocracia, porém, as obras demoram a começar e acabar, e entre seu início e fim provocam mais transtornos à mobilidade da população, diminuindo novamente a paciência dela com o governo.
Abortado o contrato com a concessionária, vendo a arrecadação diminuir, obras como a implantação de ciclovia e o alargamento da ponte para a criação de mais uma faixa de rolamento ficam em aberto.
Se há um problema urbano onipresente em todo o mundo, independente se a cidade pertence a um país rico, pobre ou em desenvolvimento, é o trânsito. Enquanto muitas cidades têm buscado meios de restringir a circulação de veículos particulares como forma de melhorar a mobilidade, inclusive fazendo uso de pedágio urbano, o Governador agiu ao contrário graças, como muitos dizem, a motivações políticas. Resta então aguardar o fim das eleições.


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