A bela e a fera

Creio que é de conhecimento geral que beleza não é frivolidade, mas algo essencial à alma humana. A beleza nos traz uma paz de espírito, uma sensação de plenitude. É o que sentimos diante de uma tela de Matisse, de uma paisagem como a de Paraty: não há como não transcender. É claro que alguns dirão que a beleza só é capaz de ser percebida depois de outras necessidades humanas.
Mas perguntem aos dermatologistas como ficam seus pacientes após tratarem problemas estéticos como as espinhas. São pessoas preocupadas com a aparência, querendo ficar menos feias ou mais bonitas, depende do ponto de vista, mas que, ao resolverem aquilo que as incomodam se transformam, se tornam mais felizes. E nada mais importante que a felicidade, não importa como ela seja alcançada. Ou seja, é a beleza atingindo a alma.
É certo que também há aqueles que chutam o balde para a estética, deixam a barriga crescer e só querem mesmo é saber de sombra e água fresca.
Mas o tema é beleza, e mais especificamente numa alemã. Não tinha como não pensar nela, afinal nesses últimos dias, eu e uns amigos ficamos pensando numa lista de filmes que queremos ver juntos. Daí que não pude evitar que minha mente fosse contaminada pelas lembranças de Nastassja Kinski.
Aonde ela tá atualmente não faço a menor ideia, mas O Fundo do Coração (One from the heart) foi um momento sublime: ela dançando dentro de uma enorme taça de champanhe com a voz rouca do Tom Waits sussurrando longe. Aliás, as músicas do Tom Waits que fazem a trilha sonora do filme é o que sugiro quando alguém está afim de uma gatinha. O Fundo do Coração é uma obra pouco conhecida do Francis F.  Coppola, que inclusive lhe arruinou financeiramente, mas não significa que não esteja a altura de outros filmes maravilhosos que ele dirigiu como Apocalypse Now, O Poderoso Chefão partes I, II e III, o Selvagem da Motocicleta ou Drácula de Bram Stoker. Só que em nenhum deles estava Nastassja.
Provavelmente muitos se lembrarão dela em Paris, Texas do Wim Wenders. É, realmente é um filmaço, desses que não se fazem mais atualmente. Aqueles horizontes, o silêncio... tá tudo lá, quer dizer, não tem nada lá, pois o filme é sobre o vazio.
Mas o papo é sobre Nastassja e Coppola. Sei que cada um tem suas preferências, mas na minha lista de favoritos, quando o tema é filme romântico, O Fundo do Coração tá lá, atrás apenas de Fim de Caso do Neil Jordan, aliás, outro que de vez em quando erra, mas quando acerta... filmaço, podis crê!
Mas voltemos à filha do maluco do Klaus Kinski. Aliás, como um cara feio daquele teve uma coisinha linda como aquela?

envie para um amigo
|VOLTAR|