Rede elétrica urbana

Muitos capixabas jamais tiveram a oportunidade de ver uma cidade limpa de fiação, tal como ocorre em vários lugares do mundo e até no nosso país, apesar dessa ser uma situação rara por aqui.
Outrora capital da república, o Rio de Janeiro é uma exceção, pois contou com investimentos estrangeiros jamais aplicados em outras cidades brasileiras. Essa é a razão de ali a rede de energia elétrica ter padrão inglês, cuja empresa não por acaso se chama até hoje Light. Recentemente centros históricos e turísticos brasileiros como Goiás Velho e Caraíva-BA, só para ficarmos em dois exemplos, já contam com rede enterrada.
Já algumas importantes capitais como São Paulo e Recife buscam forçar essa radical transformação no cenário urbano por meio da lei. Ações isoladas, porém, não possuem a mesma força que uma determinação de caráter federalista, tal como já se cogita no Congresso Nacional, que discute uma lei obrigando as concessionárias a saírem da situação de conforto em que se encontram. Essas, por sua vez, alegam que o custo é alto e se recusam a assumir sozinhas o investimento, afinal são empresas que só visam ao lucro como resultado social.
Dependendo do tipo de solo e do padrão de ocupação urbana já consolidada, o custo de implantação de uma rede enterrada é quatro a cinco vezes superior ao do posteamento aéreo, no qual a fiação é pendurada sem nenhum critério estético e até mesmo de segurança. Uma das vantagens da rede enterrada é justamente a segurança, dado o risco de acidentes (que vai desde ventanias, batidas de carro ou até mesmo uma simples pipa na mão de uma criança). A rede aérea também tem a desvantagem de interferir na arborização pública, piorando assim a ambiência urbana.
Aqui, a Prefeitura de Vitória vem há tempos tentando sem sucesso retirar a feiúra da fiação pelo menos em vias históricas do Centro da cidade. Inconformada com o fracasso dessa ação junto à concessionária local, tenta agora pelo menos convencê-la a deslocar o posteamento para outra posição quando esse se situa diante de monumentos turísticos da cidade. O curioso é que a concessionária é uma empresa portuguesa, cujos dirigentes devem saber o quanto a rede enterrada qualifica o espaço urbano no qual vivemos, pois lá não há posteamento com rede aérea.
Uma sugestão seria a de aproveitar a oportunidade das obras que serão realizadas na Grande Vitória por conta da implantação do BRT pelo Governo do Estado em parceria com as prefeituras, para a construção das galerias técnicas que abrigariam não somente a rede elétrica, mas também os cabeamentos de telefonia, TV e internet.
 

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