Comércio de rua

Muitas das cidades que conhecemos hoje surgiram em função da atividade comercial, isto é, locais que serviam como feiras para a venda de mercadorias de diversas procedências acabaram se tornando o núcleo original de aglomerados urbanos.
Desse modo, pode-se dizer que o comércio é a primeira razão de ser de muitas cidades. Na verdade, historicamente há até cidades que surgiram inicialmente pela necessidade de defesa, quando grupos humanos precisavam unir-se contra inimigos invasores, mas que em seguida se voltaram para o comércio como condição primordial de sobrevivência da sua população.
No mundo atual, as cidades tornaram-se muito mais complexas, abrigando diversas funções simultaneamente. Uma das estratégias que o comércio adotou para dar conta dos novos tempos, inclusive dado a enorme quantidade de produtos disponíveis ao homem, foi a concentração por meio da criação de polos de rua. A existência de polos comerciais de rua nos centros urbanos não é, contudo, uma novidade: é resultado de um processo histórico que aproxima concorrentes de um mesmo segmento numa mesma região, atraindo consumidores àquela parte da cidade.
Porém, graças à concorrência dos shopping centers, muitos polos comerciais de rua perderam prestígio nas cidades. No entanto, um processo recente de revitalização de centros urbanos – muitas vezes com apoio de prefeituras –, vem proporcionando a retomada dessas áreas.
Um dos exemplos mais tradicionais de polo comercial no Brasil é o do SAARA no Centro do Rio de Janeiro, cujas ruas possuem casario antigo, estando o mesmo protegido por legislação que trata do Patrimônio Histórico da cidade. Além disso, boa parte da região é formada por ruas exclusivas para pedestres, o que permite uma melhor circulação de consumidores pelo local.
Muitos desses polos não são multisetoriais e sim específicos. Desse modo, temos polos gastronômicos, como são os polos da Lapa e de Botafogo, também no Rio, e os da Vila Madalena e Bixiga em São Paulo. Aqui em Vitória, isso já vem sido posto em prática na Praia do Canto e na Ilha das Caieiras, por exemplo.
Há ainda casos como o do setor moveleiro na Ilha de Santa Maria, o de vestuário na Glória em Vila Velha e até mesmo o de cursos de inglês numa única rua da Praia do Canto. E o que dizer da Reta da Penha, cada vez mais ocupada por concessionárias de automóveis?
Mas, se há um segmento que aparentemente não precisa desse tipo de estratégia é o de farmácias. As grandes redes agora ocupam inclusive endereços nobres das cidades e de modo hegemônico. Nunca se vendeu tanto remédio!


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