Reféns dos rodoviários

A população da Grande Vitória ficou novamente refém dos rodoviários, categoria insensata que não se cansa de criar o caos no meio urbano.
Essa situação recorrente vai contra, principalmente, aos vários esforços em prol da mobilidade urbana focada no incentivo ao uso do transporte público. Todos sabem que a razão dos engarrafamentos diários que corroem o bolso, o tempo e, consequentemente, a qualidade de vida das pessoas é a enorme quantidade de veículos particulares em circulação nas cidades.
É um problema que contamina a todos, sejam pobres ou ricos, pois enquanto aqueles ficam no sufoco de ônibus desconfortáveis, os mais abastados acabam também ficando imobilizados, ainda que dentro de sofisticados carros climatizados.
O resultado é que somos desmotivados a utilizar o transporte público, pois nunca sabemos quando poderemos efetivamente usá-lo. E o que pensar de pessoas que, pegas de surpresa com a greve, tinham alguma cirurgia ou entrevista de emprego marcadas com grande antecedência? Para os rodoviários, nada disso é problema deles. Simples assim!
Pesquisa nacional recentemente publicada na imprensa revelou aquilo que todos já sabem: a péssima avaliação do transporte público no Brasil, tendo a pior nota o sistema de ônibus urbanos, entre outros modais que na Grande Vitória inexistem, como trem, metrô ou barcas.
Não percebem os rodoviários que, com suas paralisações recorrentes, estão dando um tiro no pé. Trata-se, assim, de uma categoria que cria inimizades em todos os lados: na população, no governo e no empresariado.
O sistema de transporte, com tantos problemas, não consegue ampliar o número de usuários nem pressionar o governo pela redução tributária e ainda convive com questões como incêndios dos veículos, cujo prejuízo vai para a conta das empresas.
Em junho de 2013 o Brasil parou para reclamar, sobretudo, da questão do transporte público. É curioso, pois todo o tempo ouvimos analistas comentando sobre a importância da educação na transformação socioeconômica do país.
Ainda assim, quando professores fazem greve, a indignação da sociedade é bem menor diante da paralisação do transporte, de tal modo que, em geral, paralisações em escolas e universidades normalmente duram meses. Triste é o país que não avança, seja literalmente, seja em conhecimento.


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