A crise e a mobilidade

A diminuição da atividade econômica provoca, no Brasil, diversas consequências. A mais imediata é sem dúvida o aumento do desemprego. Mas há muitas outras variáveis, como o aumento da baixa estima dos cidadãos, na qual a questão psicológica provoca danos à saúde das pessoas, cujos gastos são forçadamente diminuídos.
Outra consequência visível é o aumento da criminalidade, com surgimento inclusive de novas modalidades de delitos, demonstrando como o brasileiro é mesmo criativo; porém, não se vê tanto essa criatividade sendo posta a serviço do bem coletivo.
No entanto, a atual crise contribuiu para a melhoria dos congestionamentos viários tanto nas cidades quanto nas estradas. Talvez não seja certo falar em melhoria da mobilidade urbana, pois por mobilidade se entende a liberdade das pessoas se deslocarem no território, quaisquer que sejam suas motivações.
E esse é o corolário da situação: houve melhora nos congestionamentos mas não na mobilidade, pois as pessoas estão sendo forçadas a não se moverem, pois não tem dinheiro para a passagem de ônibus ou para colocar gasolina.
Elas foram obrigadas a devolver o carro por falta de pagamento do financiamento, ou até mesmo pela diminuição da demanda de mercadorias que obriga caminhões de entrega ficarem parados nas garagens, ou simplesmente porque perderam o emprego e não têm razão para sair de casa.
Nas manifestações de junho de 2013, o Governo ficou surpreso ao se dar conta que a principal razão da enorme insatisfação das pessoas era com a mobilidade urbana (ainda que não tenha sido só esse o motivo das passeatas).
Com a Copa do Mundo de 2014, as cidades sedes ainda concederam crédito aos projetos de mobilidade que o legado se propunha a oferecer aos torcedores e moradores, o que, porém, não ocorreu. Reportagens recentes mostraram como a maioria desses projetos estão parados, abandonados e, provavelmente, não serão concluídos tão cedo (exceção do Rio de Janeiro, graças às Olimpíadas 2016) já que nenhum governo, seja ele municipal, estadual ou o federal, dispõe atualmente de recurso para obras.
No Espírito Santo foi abortado, por exemplo, o projeto do BRT que vem sendo apresentado à sociedade como solução para a mobilidade da Grande Vitória há cerca de dez anos! Não iniciaram sequer as obras pelas bordas, o que seria mais fácil, isto é, pelas avenidas Carlos Lindemberg e Civit em Vila Velha e Serra, respectivamente. No momento, resta então torcer para que acabem logo esse imbróglio que é a incompetente obra da Leitão da Silva.
E aí, quando a economia voltar a crescer, vai tudo parar de novo.
 

 


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