LOJAS FECHADAS E RUAS VAZIAS: NOVOS DESAFIOS PARA AS CIDADES

Ao longo dos séculos, várias das principais cidades do mundo tiveram no comércio a alavanca do seu desenvolvimento. É o momento de serem criativas e inovadoras
Uma das muitas consequências da atual crise econômica brasileira foi o fechamento de inúmeras lojas, tanto de rua quanto as localizadas nos shopping centers. As compras no varejo das famílias brasileiras caíram radicalmente, contribuindo inclusive para certa melhoria no trânsito urbano e no transporte de cargas interestaduais, uma vez que há menos pessoas circulando pelas cidades para fazer compras e menos caminhões nas estradas levando mercadorias das fábricas para os centros consumidores.
Ruas comerciais antes movimentadas agora ficam esvaziadas, o que as deixam inclusive menos seguras. Não deixa de ser mais um curioso paradoxo: enquanto a população urbana continua crescendo, justificado até mesmo pelas oportunidades oferecidas pela cidade que inclui o acesso às mercadorias e o consumo em geral, as ruas, lugar principal de encontro e circulação, se tornam cada vez mais despovoadas.
Mas ainda há outro paradoxo em relação a essa questão: enquanto o comércio presencial diminuiu, o comércio on line cresceu, não tendo, portanto, do que se queixar.
Ocorre que isso não é um fenômeno apenas brasileiro, cuja justificativa seria a crise econômica, pois ele está ocorrendo em todo mundo, inclusive nas principais cidades dos países mais desenvolvidos. Mesmo os EUA, que teve um ótimo crescimento econômico médio do PIB de 2,5% em 2017, vêm assistindo ao fechamento de várias lojas das principais redes de varejo; entre as afetadas encontram-se grandes e famosas redes como Macy’s e JCPenney. Segundo dados da consultoria Business Insider, um impressionante total de 6.330 lojas de departamentos encerraram as vendas nas cidades norte-americanas.
No Brasil da crise, o crescimento do comércio eletrônico em 2017 foi de 12%, enquanto que nos EUA a taxa foi de quase 14%, do qual praticamente a metade é de uma única empresa: Amazon.
Como se vê, as famílias continuam realizando suas compras, o que vem ocorrendo, contudo, é a forma como isso se dá. À medida que o consumidor cada vez mais se familiariza com o hábito de comprar para internet, a ida às lojas de ruas ou de shopping centers tendem se tornar menos frequentes. Caminhar pelas ruas, a outrora deambulação descontraída, vislumbrando enfeitadas e atraentes vitrines será algo cada vez mais raro. Os shopping centers, porém, que antes já tinham provocado o temor de esvaziar o comércio de rua, e que agora também se veem afetados, ainda possuem algumas cartas na manga, pois reúnem atrativos – cinemas, praças de alimentação, segurança e ar condicionado – capazes de prolongar sua atividade em funcionamento.
Ao longo dos séculos, várias das principais cidades do mundo tiveram no comércio a alavanca do seu desenvolvimento. É o momento de serem criativas, inovadoras e buscarem um novo modelo de prosperidade.

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