A ÁGUA QUE SOBRA NAS CHUVAS É TAMBÉM A ÁGUA QUE FALTA PARA MUITOS

 Durante boa parte da história da humanidade, acreditou-se na infinitude da Natureza. O homem tirava tudo dela sem se preocupar em quais seriam as consequências da ação extrativista incondicional. Como isso era uma espécie de consciência coletiva de uma época, não faz sentido nenhum tipo juízo de valor negativo, afinal o mundo era visto daquele modo por grande parte de seus habitantes.

 
De certo modo, o Brasil foi muito marcado por essa visão de mundo desde o início do seu período colonizador, de tal modo que o seu próprio nome é resultado do processo econômico de extração do pau-brasil. Tendo sediado a pouco o 8º Fórum Mundial da Água e dono do maior percentual de recurso hídrico do mundo, o Brasil, porém, não é exemplo no uso da água.
 
Se o Brasil possui mais água potável do que qualquer outro país do planeta, ela está concentrada na Amazônia, região que possui a menor população brasileira, mas também baixas taxas de saneamento. Já no Sudeste, onde se encontra o Espírito Santo, estão os maiores população, consumo per capta e taxas de saneamento; contudo, é uma região que vem apresentando grande dificuldade de abastecimento em virtude de diversos fatores.
 
Ainda que o povo brasileiro adore colocar a culpa no governo, é importante lembrar que governo somos todos nós. Dito isso, cabe ressaltar o modo como as pessoas lidam com esse bem precioso que é a água.
 
Nas últimas semanas, cidades da Grande Vitória além de boa parte dos municípios do Espírito Santo sofreram com a intensidade das chuvas que alagaram ruas, provocaram desabamentos entre outras mazelas, causando enorme prejuízo para toda a população. No entanto, trata-se de uma grande quantidade de água desperdiçada, pois não estamos preparados para armazená-la adequadamente para depois reutilizá-la.
 
Por outro lado, não faz muito tempo que a preocupação era outra, pois quase todo o território capixaba viu-se assolado por uma longa estiagem, cujo resultado foi o racionamento do serviço de abastecimento de água em quase todo o estado.
 
Ou seja, ora temos água demais, ora temos água de menos, e sem água não vivemos.
 
A obrigatoriedade do uso do cinto de segurança nos veículos serve de exemplo do processo de reeducação da população, algo semelhante ao que deverá ser feito para cada um mude seu modo de consumo irresponsável de água.
 
Mas só isso não será suficiente. Novas legislações, incluindo-se os planos diretores, devem incluir aspectos relacionados à captação e reuso de água por meio de cisternas e proteção intensa das margens de rios e matas ciliares, de modo a possibilitar a recuperação de grande parte das bacias hidrográficas atualmente comprometidas.
 
Mais atenção deve ser dada ao saneamento, com o devido tratamento do esgoto para que a água ali contida possa voltar em boas condições para o consumo.
 
Enfim, essas são apenas algumas das medidas mais urgentes. O importante mesmo é termos consciência de qual é o nosso papel em relação à vida no planeta, e nela está incluída a água.

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