CONDOMÍNIOS DE CASAS ISOLADAS NÃO SÃO GARANTIA DE TRANQUILIDADE

Com o caso recente da invasão de uma casa num condomínio fechado de alta renda na rodovia do Contorno no município da Serra por bandidos, resultando na morte de um deles, cai por terra a ideia que esses lugares são ilhas de felicidade e segurança isoladas do resto das caóticas cidades brasileiras.

A história urbana brasileira tem sua origem no modelo implantado pelo colonizador português, exemplificado em Vitória com sua Cidade Alta que se impõe acima das demais áreas ocupadas. Mais tarde, com a vinda de D. João VI e a chegada da Missão Francesa, o Brasil viu-se influenciado pelas teorias vindas da França napoleônica e depois modernista, até o momento em que a Europa entrou em colapso nas duas grandes guerras. E aí, graças à hegemonia norte-americana do pós-guerra, passou-se aqui a adotar como modelo os EUA, com seus bairros periféricos de vias largas, bastantes áreas verdes, mas que só se torna viável por meio do automóvel e alto consumo de combustível, o que lá não era problema haja vista o alto padrão de renda norte-americano se comparado com o do brasileiro.
Nesse ponto cabe dizer que esse tipo de ocupação urbana de baixa densidade, a despeito do alto percentual de áreas verdes, é na verdade negativo para o meio ambiente. Quando se trata da sustentabilidade, as cidades verticalizadas, e por isso mais densas, consomem menos energia e combustível, distribuem melhor a infraestrutura urbana entre os cidadãos obrigados a pagar impostos, tornando-se assim regiões com menos impacto para a natureza.
Existe, contudo, um senso comum de que os condomínios horizontais fechados lugares são modelares, tal qual um pequeno paraíso. Eles são apresentados como lugares para alguns privilegiados morarem, enquanto o restante do povo, que vive em locais adensados, se vê excluído dessa regalia. É claro que muitos dos que moram nesses condomínios não fazem tal correlação conceitual e técnica, mas não podemos nos eximir aqui de destacar o tipo de consequência que essas áreas residenciais causam ao meio ambiente, considerando que esse é um tema cada dia mais urgente.
Os locais adensados da cidade, por outro lado, proporcionam enormes oportunidades de convivência urbana, razão de ser da própria cidade. São nessas áreas onde se pode circular e encontrar comércio em distâncias curtas, realizar várias atividades sociais, educativas e culturais, onde a moradia se mescla com o trabalho, de tal modo que as atividades humanas se veem integradas.
Nos últimos anos, porém, com o agravamento violência urbana no Brasil, tais regiões das cidades se viram questionadas quanto a segurança, de tal modo que muitas famílias foram em busca de locais supostamente mais seguros para viver e criar seus filhos. Como se viu agora,  isolamento não é garantia de tranquilidade.
 

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