VITÓRIA, PEQUENA E CARA, É A CAPITAL DA GENTRIFICAÇÃO?

Conforme demonstrado em vários indicadores recentes, Vitória é uma cidade com ótima qualidade de vida quando comparada com outras capitais brasileiras. Com pouco mais de 93 km² de área, ela é também a menor das capitais no que tange o tamanho do seu território, fora que boa parte possui restrições ambientais, o que deixa sua área urbana ainda mais reduzida.
 
Outra diferença também se dá quando ela é comparada com as outras regiões metropolitanas de cada estado do país, pois normalmente a capital é a maior cidade em área e população, estando os demais municípios orbitando ao seu redor, beneficiando-se da importância econômica e política da capital.
 
Cabe também ressaltar que, em Vitória, as áreas carentes de infraestrutura que abrigam uma população de baixa renda são relativamente menores do que as dos municípios vizinhos, como Serra, Vila Velha, Cariacica e Viana, fato que contribui para a capital capixaba manter seus altos indicadores socioeconômicos. Isso, contudo, encarece o custo de vida em Vitória, incluindo aí o valor de metro quadrado da moradia. E aí quando se soma ao valor médio de imóvel a oferta de serviços urbanos, equipamentos culturais, instituições de ensino, etc, o resultado é uma cidade cada vez mais cara para se viver.
 
Pequena e cara, mas bem dotada de infraestrutura. Com tais características, realmente tem sido melhor e até mais fácil para muitos dos cidadãos da Grande Vitória morarem nas cidades vizinhas e usufruírem das benesses proporcionadas pela capital.
 
Uma das consequências desse processo é que Vitória vem perdendo oportunidades de negócios para os municípios vizinhos. Há casos de lojistas que simplesmente transferiram suas atividades para bairros como Laranjeiras ou Campo Grande, que apresentam grande dinâmica econômica, porém com valores de aluguel abaixo ao cobrado na capital espírito-santense.
 
Isso, na verdade, é um fenômeno já ocorrido em diversas cidades do mundo ao longo da história, fazendo com que algumas delas tenham até mesmo perdido competitividade, afinal nunca foi tão fácil mudar-se para outra cidade ou até de país.  
 
Quando a valorização de uma região ocorre em decorrência de investimentos ali realizados, e consequentemente surgindo a oportunidade da transferência da propriedade do imóvel por uma valor maior, se dá o nome de gentrificação, termo cada vez mais utilizado para explicar a dinâmica urbana de “expulsão” de grupos comunitários.
 
No entanto, há casos nos quais a chamada expulsão não promove a substituição de um grupo de menor poder econômico por outro mais abastado, num processo de crescimento econômico que atrai mais investidores para a região, mas justamente o contrário, ou seja, ocorre apenas o esvaziamento do lugar. É o que pode ocorrer em Vitória daqui para a frente. Ou seja, trata-se de uma cidade que, com sua limitação territorial, precisa ficar atenta à dinâmica urbana metropolitana atual e pensar seu futuro enquanto é tempo.

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