OS INDISCRETOS PARADOXOS DA TECNOLOGIA

Com a chamada 4ª Onda os sistemas informacionais se tornaram ubíquos, de tal modo que a automatização já faz parte do nosso dia a dia. Isso levou à seguinte polarização: os admiradores dos avanços tecnológicos e aqueles que os rechaçam. Para os primeiros a compra de um novo modelo de smartphone provoca um prazer quase sexual, um gozo, enquanto os demais têm certa ojeriza a tudo relacionado à produção capitalista industrial robotizada.
Mesmo entre os cientistas, para quem a tecnologia é um meio de melhorar o mundo, existem os otimistas e pessimistas. Em um ponto, porém, há consenso: as novas tecnologias provocarão uma vida mais confortável e eficiente, mas também o aumento do desemprego. Estudo da McKinsey Global Institute prevê que a robotização eliminará de 400 a 800 milhões de empregos até 2030 no mundo, inclusive em países ricos.
O Big Data já pode controlar quase tudo, da regulagem à distância do ar condicionado ao tratamento médico ideal, o que não deixa de ser paradoxal: milhares de pessoas sequer possuem acesso à água e esgoto, quanto mais a ar condicionado; e, tanto no Brasil do SUS ou nos EUA de Trump, pessoas morrem sem terem atendimento médico.
As novas tecnologias desestruturaram vários segmentos, tornando os meios de produção mais acessíveis. Na música os artistas já não dependem de gravadoras para produzir e divulgar seus trabalhos, basta gravar um clipe e colocá-lo no YouTube. Paradoxo: nas diversas mídias, apenas uns poucos artistas dominam curtidas e faturamento. E assim é na literatura, design, moda...
A globalização e internet são a outra face da concentração de renda e do aumento no número de pobres. Paradoxo: novas donas do poder econômico, Google e Facebook contribuem para a desestruturação dos conglomerados indústrias tradicionais. Daí que a tributação das empresas de tecnologia é um dos focos de governos cada vez mais demandados socialmente.
Há quem ache que a tecnologia enfim trará a felicidade tão sonhada. Máquinas farão o trabalho pesado, e para nós sobrarão atividades lúdicas, criativas e esportivas. Paradoxo: o grande desafio da humanidade será prover maior demanda global por alimento e água.
O mundo pós-apocalíptico é tema bastante explorado pelo cinema, em obras que mesclam drama e ação. O Exterminador do Futuro e Eu, Robô mostram como as novas tecnologias se tornam incompatíveis com a civilização humana. Mas é outro filme que espelha tal contradição de modo subliminar: WALL-E. Se Schwarzenegger e Will Smith dão socos e tiros, é porque ainda podem lutar pela sobrevivência, revertendo ou impedindo a decadência humana. Já na animação da Pixar, restou apenas lixo e sucata.
A arte inspira-se na realidade. O Modernismo tinha como base a fé na transformação social graças aos avanços tecnológicos causados pela Revolução Industrial. Paradoxo: ao invés de um futuro redentor, o que se viu foi vasta destruição em duas grandes guerras.
Paradoxo final: até hoje não inventaram nada melhor do que o papel higiênico para cumprir sua função.
 

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