MOBILIDADE URBANA: O DILEMA DOS APLICATIVOS DE TRANSPORTE

Aplicativos como o Uber provocaram mudanças na mobilidade urbana em boa parte das cidades do mundo. Trata-se de uma solução tecnológica só possível graças aos sistemas informacionais móveis, entre eles o GPS.
 
No entanto, se para muitos cidadãos esse tipo de inovação é um incentivo para deixar o automóvel particular em casa, e, assim aliviar grande parte dos engarrafamentos, para trabalhadores como são os taxistas, o que se coloca é um conflito de interesses, para não dizer um confronto, que muitas vezes chega à violência física. Daí que prefeitos e câmaras municipais não sabem para que lado se posicionam, isto é, se a favor da melhoria da mobilidade, num sistema com pouca regulação na qual os municípios pouco ou nada interferem ou arrecadam, ou, ao contrário, a favor de um sistema de transporte que pode estar com os dias contados, mas que ainda possui peso político.
 
No Brasil, em decorrência da crise econômica dos últimos anos, os sistemas de transporte público municipais ou metropolitanos vêm perdendo passageiros. São pessoas que perderam emprego, e, portanto, não possuem motivo para se deslocar diariamente de casa para o trabalho, ou, quando ainda possuem algum trabalho, a renda caiu de tal modo que para se deslocarem buscam outros meios, tais como bicicletas ou até mesmo a caminhada.
 
Nesse ponto, cabe dizer que não se está aqui fazendo crítica à locomoção não motorizada a pé ou em bicicleta, com benefícios à saúde e poluição do ar, entre outros aspectos, mas chamando a atenção ao fato de trabalhadores sequer possuírem recursos para pagar o transporte motorizado coletivo, seja ele ônibus, metrô ou trem, os modais mais usuais no Brasil. Um trabalhador que se vê obrigado a abdicar do transporte coletivo por questões econômicas não só perderá mais tempo no deslocamento diário, como sofrerá mais desgaste físico, comprometendo sua qualidade de vida.
 
Essa talvez seja uma questão chave: a mobilidade, enquanto direito universal das pessoas se deslocarem, deve ser de livre arbítrio, e não imposta.
 
Voltando ao transporte público, com menos receita, as empresas que operam os sistemas por meio de concessões, oferecem serviços cada vez menos atraentes, ou seja, o cidadão é cada vez menos incentivado a deixar o carro em casa e deslocar-se por meio de transporte coletivo.
 
Há, no entanto, outro paradoxo ainda pouco considerado na realidade brasileira, mas já detectado em algumas cidades norte-americanas: os serviços de aplicativos, como o já citado Uber, têm provocado a evasão de passageiros dos meios de transporte público nas principais cidades dos EUA como Los Angeles, San Francisco, Boston e Nova Iorque, de tal modo que o resultado desse processo é o aumento dos engarrafamentos quando se imaginava que ocorreria justamente o contrário.
 
Estamos diante de um impasse, afinal, como vimos nas manifestações de 2013 e agora na recente greve dos caminhoneiros que prejudicou o abastecimento dos postos de combustíveis, a mobilidade urbana é um dos temas mais importantes para a população afetada diariamente no seu ir e vir, mas cujo cenário futuro ainda está indefinido.

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