SÓ AÇÃO E PENSAMENTO COLETIVO PODEM MELHORAR A VIDA NAS CIDADES

No momento histórico no qual já se sabe que a maior parte da população mundial, inclusive a brasileira, vive em cidades, de modo cada vez mais intensificado e, certamente, irreversível, é importante avaliarmos qual o papel de cada um de nós nesse processo.
 
Todos os urbanistas são unânimes em afirmar que, a despeito da enorme quantidade de problemas, ainda é melhor e mais promissor morar nas cidades atuais do que foi em qualquer época precedente.
 
Mas além dos urbanistas, a maioria da população (para não dizer toda ela) sabe dos enormes problemas e desafios das nossas cidades, isto é, as localizadas nos países em desenvolvimento, cujas infraestruturas são radicalmente opostas às dos países ricos.
 
Daí que no caso do Brasil, e por extensão do Espírito Santo, as mazelas urbanas não são tão distintas das encontradas em cidades do México, Índia ou China, a saber: engarrafamentos em função de um sistema de transporte público deficiente e que, por isso, corroem o tempo gasto com deslocamento diário dos trabalhadores; violência urbana; poluição do ar, dos cursos d’água, além da baixa qualidade na coleta e tratamento do lixo, com consequências diretas na saúde pública; alto nível de corrupção nas instituições públicas; má qualidade ou déficit habitacional; e, para citar apenas mais um exemplo, poucas opções de lazer, cultura e atividades recreativas.
 
Aqui mesmo na Grande Vitória esses problemas são ubíquos e ocupam boa parte das notícias diárias veiculadas na imprensa local, ao ponto de até ter sessões inteiramente dedicadas aos fatos policiais que já fazem parte do cotidiano dos cidadãos. Ou então reportagens sobre pontos de lixo viciados, calçadas quebradas, posto de saúde lotados, etc, etc.
 
Se é comum apontar o poder público (em geral as prefeituras) como responsável pelos problemas das cidades, é certo, porém, que muita coisa de errado no meio urbano é causado pela própria população que “se veste de coitadinha desinformada” quando lhe interessa, mas é bem “antenada” na hora de fazer denúncia, chamar a imprensa, fazer manifestação com pneu queimado no meio da rua, quando sente na própria pele os problemas causados pelos demais cidadãos.
 
E no Brasil, infelizmente, esse tipo de comportamento é algo que também não escolhe conta bancária ou cor de pele, pois som alto em festa incomodando vizinho tem tanto nos bairros ricos como nos mais pobres. E se nas regiões mais carentes é comum as pessoas jogarem lixo na rua, que depois tapa o bueiro e alaga a rua em dias de chuva, nas áreas densas e abastadas com maior índice de motorização, vemos carros fechando o cruzamento, estacionados de modo irregular ou motorista dirigindo devagar por que está falando ao celular, piorando o trânsito quando não é ELE quem está com pressa.
 
A cidade é o nosso lugar, o lugar de todos, mas isso requer compromisso com os demais. O cidadão brasileiro tem agido de modo cada vez mais egoísta, pouco se importando com quem está ao seu lado. Viver em cidade, viver em comunidade foi o grande salto no desenvolvimento humano e para isso temos que pensar e agir pensando mais no coletivo do que no individual. Trata-se de um enorme desafio, afinal, uma das características das sociedades atuais é o aumento do individualismo.

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