EM CRISE, PREFEITURAS PRECISAM SE INSPIRAR EM GESTÕES BEM-SUCEDIDAS

Há poucas semanas saiu uma matéria no Gazeta Online que estranhamente deu pouca repercussão nos dias que se seguiram, o que, num período de intenso debate político e eleitoral, deveria ser tema tratado na agenda não só dos candidatos, mas de toda a sociedade preocupada tanto com o momento presente, mas também com o que virá.
A matéria escrita por Luísa Torre começava assim: “um estudo (...) revelou que os municípios do Espírito Santo foram muito afetados pela piora no nível do emprego e renda entre 2014 (pré-crise econômica) e 2016 (auge da crise) e despencaram no ranking de Desenvolvimento Municipal.”
Criado pela FIRJAN – Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro em 2008 e inspirado no IDH – Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, o IFDM – Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal é um parâmetro comparativo que permite medir a situação atual de cada município brasileiro, de modo a orientar as políticas públicas a serem adotadas pelas administrações locais. Tendo como base dados obrigatórios informados pelos próprios municípios e também os coletados junto aos ministérios do Trabalho, da Educação e da Saúde, o IFDM também permite o acompanhamento histórico do nível de desenvolvimento social em todos os municípios brasileiros. E a composição do índice leva justamente em conta os dados de emprego & renda, educação e saúde, deixando de fora os aspectos econômicos, tais como PIB, muito valorizados até então, ou seja, focando agora na questão social como matriz objetiva.
A última versão do IFDM que foi abordado na matéria do Gazeta Online, foi elaborado com dados de 2016, isto é, ele não apresenta o retrato da situação mais recente, seja em 2017 ou até mesmo a desse ano de 2018 em curso. Mas a publicação já faz referência a um dado preocupante: “entre 2015 e 2016, foram fechados quase 3 milhões de postos de trabalho formais no país.” Ocorre que, segundo o IBGE, o Brasil atingiu em 2018 mais de 13 milhões de desempregados, ou seja, trata-se de um indicador que só vem piorando.
Ao falar de Vitória, Luísa Torre informa que a capital do Espírito Santo “era a 100ª cidade mais desenvolvida do país (mas que) caiu para 211ª entre 2014 e 2016.” Na séria histórica do IFDM, porém, os números de Vitória para educação e saúde sempre foram altos, enquanto que emprego & renda nunca passaram de moderados e, portanto, só vem se agravando. A questão é que a gestão da educação e saúde passa muito pelas esferas de governo, ao passo que emprego está mais relacionado com o setor privado, a partir de um ambiente econômico de negócios dinâmico.  
De um total de 78 municípios que compõem o Espírito Santo, 57 deles recuaram no IFDM, um número significativo, afinal são mais de 70% de municípios capixabas que retrocederam.
E as perspectivas não são nada animadoras...
Mas, o que fazer? No atual mundo globalizado e competitivo, as cidades começaram a disputar mercados entre si. É aqui que pode entrar uma ferramenta típica do meio empresarial: o  benchmarking, isto é, um processo comparativo entre práticas na gestão. Considerado o injusto pacto federativo definido pela Constituição que concentra recursos no Governo Federal, o benchmarking é uma estratégia que pode mostrar às prefeituras novos caminhos além daqueles tradicionais no planejamento municipal. Estudar as experiências daqueles municípios que vem apresentando bons índices pode ser o início de uma nova etapa de desenvolvimento.
 

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