AQUAVIÁRIO NÃO RESOLVE PROBLEMA DA MOBILIDADE, MAS PODE AJUDAR MUITO

 As cidades do Rio de Janeiro, Salvador e Vitória guardam várias semelhanças entre si. Vejamos então: são três capitais de estados; são três cidades litorâneas e cada uma margeando uma baía navegável; são das mais antigas cidades do país, fundadas no período colonial da história brasileira; e também apresentam clima quente e úmido semelhante. 

Com seus morros de granito no meio da cidade, cuja ocupação circunda um maciço central, e recortada por enseadas, as paisagens do Rio de Janeiro e Vitória acabam se assemelhando, guardadas as devidas proporções de escalas, afinal a cidade dos cariocas é muito maior que a capital capixaba. 
Já em relação à Salvador, a similitude com Vitória está na existência de uma cidade baixa e uma cidade alta, resultado de um modelo de ocupação urbana realizada pelos portugueses que buscavam segurança contra possíveis ataques de índios ou outros invasores europeus, mas também controle sobre o território a partir de uma visão privilegiada do entorno. 
Algo que coloca o Rio de Janeiro e Salvador em paralelo é o fato de ambas as cidades possuírem um transporte marítimo regular em suas baías, respectivamente, a baía de Guanabara e a baía de Todos os Santos. Diariamente, balsas fazem o trajeto Salvador-Ilha de Itaparica, cortando as águas da baía de Todos os Santos, a maior do país. No caso do Rio, as barcas ligando a cidade com Niterói, mas também com Paquetá, se mantém em pleno funcionamento mesmo após a inauguração da Ponte Rio-Niterói há 45 anos. 
A capital do Espírito Santo também já teve seu transporte marítimo regular, chamado de aquaviário, mas que encerrou suas atividades após a grande perda de passageiros depois de concluída a 3ª Ponte, que liga as cidades de Vitória e Vila Velha. Inaugurada em 1989, ou seja, há 30 anos, a 3ª Ponte se tornou o modo mais rápido para o deslocamento das pessoas entre as duas cidades espírito-santense, separadas pelo canal da baía de Vitória. 
Parte do problema se deve ao fato de haver pouca densidade populacional às margens da baía, considerando inclusive os antigos pontos de atracamento de embarcações. Ou seja, não vale muito a pena para alguém que more em Itapoã ou Itaparica em Vila Velha, e que queira deslocar-se para Vitória, em direção ao norte da cidade, por exemplo, pegar um ônibus até a baía, transladar para um barco, para depois um novo translado para outro ônibus. Segundo pesquisas origem-destino que norteiam o planejamento do sistema de transporte público da Grande Vitória, concentrado no modal ônibus, a demanda para as barcas é baixa, tornando o serviço inviável financeiramente.
Por outro lado, todos os estudos atuais indicam que a mobilidade urbana deve ser pensada por meio de transporte multimodal, isto é, através da articulação entre vários meios de transporte, que vai desde modais de alta capacidade, como trem e metrô; aos de média, como BRT (bus rapid transit), BRS (bus rapid system), VLT (veículo leve sobre trilho), monotrilho e o ônibus, tal como o conhecemos bem; sistemas complementares, como o táxi e os veículos compartilhados por aplicativos (incluindo aí as bicicletas e patinetes); e, é claro, conforme a situação geográfica de uma urbe, o transporte marítimo ou aquaviário (há cidades com morros, por exemplo, que possuem sistema de transporte em teleférico ou plano inclinado).
O importante, portanto, é oferecer ao cidadão que sai diariamente de casa para o trabalho ou estudo, mas também para quem é visitante, como os turistas, diversas opções de transporte em função da capilaridade urbana e densidade populacional. E como acabamos de mencionar também os turistas, é considerando também esse público que se pode pensar na viabilidade do retorno do aquaviário às águas da baía de Vitória.
 

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